quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
FILOSOFIA: nem dogmatismo, nem ceticismo
Dogmatikós em grego significa "que se funda em princípios" ou "é relativo a uma doutrina".
Dogma é ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina religiosa. Na religião cristã, por exemplo, há o dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), a qual não deve ser confundida com a existência de três deuses, pois se trata só de um. Deus é uno e trino. Não importa se a razão não consegue entender, já que é um princípio aceito pela fé e o seu fundamento é a revelação divina.
Quando transpomos essa ideia de dogma para áreas estranhas à religião, ela passa a ser prejudicial às pessoas, que, uma vez de posse de uma verdade, fixa-se nela e abdica de continuar a busca. O mundo muda, os acontecimentos se sucedem e o ser humano dogmático permanece petrificado nos conhecimentos dados de uma vez por todas. Refratário ao diálogo, teme o novo e não raro se torna intransigente e prepotente. Disse Nietzsche, filósofo alemão do século XIX que as "convicções são prisões". Quando o dogmático resolve agir, o fanatismo é inevitável. Em nome do dogma da raça ariana, Hitler cometeu o genocídio dos judeus nos campos de concentração.
O filósofo e político brasileiro Roland Corbisier (1914-2005), explicitava que o "dogmatismo tem assumido um caráter principalmente ideológico e político. Convertendo-se em ideologia, a filosofia política se converte em doutrina oficial do Estado, ortodoxia a ser defendida pela censura e pelo aparelho repressivo, policial e militar."
Skeptikós em grego significa "que observa", "que considera". O cético tanto observa e tanto considera, que conclui pela impossibilidade do conhecimento. Confrontando as diversas filosofias, percebe que são diferentes e às vezes contraditórias, concluindo que é impossível aderir a qualquer uma delas.
Enquanto o dogmático se pega à certeza de uma doutrina, o cético conclui pela impossibilidade de toda a certeza e, neste sentido, considera inútil esta busca infrutífera que não leva a lugar nenhum.
Comparando essas duas posições antagônicas, podemos ver que elas tem algo em comum, ou seja, a visão imobilista do mundo: o dogmático atingiu uma certeza e nela permanece; o cético anseia pela certeza e decide que ela é inalcançável. Mas a filosofia é movimento, pois o mundo é movimento. A certeza e a sua negação são apenas dois momentos ( a tese e a antítese) que serão superados pela síntese, a qual, por sua vez, será nova tese, e assim por diante. A filosofia é a procura da verdade, não a sua posse. como dizia Jaspers, filósofo alemão, concluindo que "fazer filosofia é estar a caminho; as perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se numa nova pergunta".
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
SÓCRATES
Lembremos a figura de Sócrates. Viveu em Atenas no século V a.C. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, era dono de um estranho fascínio. Procurado por jovens, passava horas discutindo na praça pública. Interpelava os transeuntes, dizendo-se ignorante, e fazia perguntas aos que julgavam entender determinado assunto. Colocava o interlocutor em tal situação, que não havia saída senão reconhecer a própria ignorância. Com isso Sócrates conseguiu rancorosos inimigos. Mas também alguns discípulos. O interessante é que a segunda parte do seu método, que se seguia à destruição da ilusão do conhecimento, nem sempre levava de fato a uma conclusão efetiva. Sabemos disso não pelo próprio Sócrates, que nunca escreveu, mas por seus discípulos, sobretudo Platão e Xenofonte.
Afinal, acusado de corromper a mocidade e ser ímpio para com os deuses da cidades, Sócrates foi condenado à morte. A história da sua condenação, defesa e morte é contada no diálogo de Platão Apologia de Sócrates. As discussões havidas durante sua prisão são relatadas no Fédon, também de Platão, e versam sobre a imortalidade da alma.
A partir do que foi relatado, podemos fazer algumas observações:
- Sócrates não está em seu "gabinete" contemplando o "próprio umbigo", mas está na praça pública.
- A relação que ele estabelece com as pessoas não é puramente intelectual, nem alheia às emoções.
- O seu conhecimento não é livresco, mas vivo e em processo de se fazer; o conteúdo é a experiência cotidiana.
- Guia-se pelo princípio de que nada sabe e, desta perplexidade primeira, inicia a interrogação e o questionamento do que é familiar.
- Ao criticar o saber dogmático, não quer dizer que ele próprio é detentor de um saber. Desperta as consciências adormecidas, mas ele não é um "farol" que ilumina; o caminho novo deve ser construído pela discussão, que é intersubjetiva, e pela busca criativa das soluções.
- Portanto, ele é "subversivo" porque "desnorteia", perturba a "ordem" do conhecer e do fazer e, portanto, deve morrer.
Se fizermos um paralelo entre Sócrates e a própria filosofia, chegaremos a idêntica conclusão: o lugar da filosofia é na praça pública, daí a sua vocação política. Por ser alteradora da ordem, é perturbadora, é incômoda e é sempre "expulsa da cidade": as pessoas se riem do filósofo, consideram-no "inútil". Por via das dúvidas, o amordaçam. Cortam o "mal" pela raiz: até retiram a filosofia dos cursos secundários... Mas há outras formas de "matar" a filosofia, como quando a tornamos pensamento dogmático e discurso do poder, ou ainda, quando cinicamente reabilitamos Sócrates morto, já que então se tornou inofensivo.
O QUE É FILOSOFIA?
*
FILOSOFIA – Etimologia
Os
gregos antigos tinham primeiramente uma consciência mítica, cuja
principal manifestação dessa consciência foram com os poemas de
Homero e Hesíodo.
Quando
se deu a passagem do mundo mítico para a consciência racional,
apareceram os primeiros sábios, sophos, como se diz em grego.
Um deles, chamado Pitágoras (séc. VI a.C.), também famoso
matemático, usou pela primeira vez a palavra filosofia
(philos-sophia), que significa “amor à sabedoria”. É
importante observar que a própria etimologia mostra que a filosofia
não é puro logos, pura razão: ela é a procura amorosa da
verdade.
*
A FILOSOFIA COMO UMA FORMA DE CONHECIMENTO
A
filosofia não é uma doutrina, não é um saber acabado, com um
determinado conteúdo, não é um conjunto de conhecimentos
estabelecidos de uma vez por todas. A filosofia é um tipo de
conhecimento diferente, que engloba um pensar que não é permanente,
um pensar cheio de atitude que faz as pessoas questionarem todos os
saberes instituídos. Nesse sentido, a filosofia não trata de um
saber abstrato, à margem da vida. O próprio tecido do seu pensar é
a trama dos acontecimentos, é o cotidiano.
INÍCIO DO ANO LETIVO 2019
ALUNOS E ALUNAS, ESTAMOS DE VOLTA E AGUARDAMOS ANSIOSAMENTE O SEU RETORNO!
HORÁRIO DE FILOSOFIA 2019:
MANHÃ: 2ª a 6ª das 8h - 12h.
TARDE: 2ª, 3ª, 4ª e 6ª das 13h - 18h.
HORÁRIO DE FILOSOFIA 2019:
MANHÃ: 2ª a 6ª das 8h - 12h.
TARDE: 2ª, 3ª, 4ª e 6ª das 13h - 18h.
NOITE: 2ª a 6ª das 19h - 22h.
Assinar:
Comentários (Atom)

